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Meio-dia pras 4

Só pode ser

Escrito em 20/01/2017
Breno Airan


Van Gogh, o Senhor do Bonfim (Vitu Brito, 2015)

Estamos em 2017. Eu tenho 27 anos. A semana tem 7 dias (menos pros Beatles). E sete acaba sendo, toda vez, o número do mentiroso. Por isso, o nome “Meio-dia pras 4”. Sem 7 algum no ponteiro.

E, por isso também, inicio essas linhas com o compromisso com a verdade. Vou assinar aqui algumas crônicas cotidianas em uma espécie de “Diário de um Jornalista... Sóbrio”, fazendo vergonha ao Hunter S. Thompson. Sempre que possível não usarei nenhum tipo de droga quando for escrever, incluindo a cafeína.
 
Quero ser nu e cru – não apenas aparentar. Na verdade, esse é um grande enigma atual. A aparência é geralmente uma das questões menos debatidas com seriedade em nossas esferas de convívio.
 
Eu mesmo não sou o que eu prego ser, pois, nessa pregação, eu ainda estou tentando me enquadrar naquilo que desejo aparentar. Em um resumo quase socrático: só sou quem nada sou.
 
Quando eu for, eu serei. Sério. Parece (ou aparenta) que estou desvirtuando o nosso pacto com o segundo parágrafo aqui de cima, mas não. Estou sóbrio. Acabei de comer cuscuz. Sem café. Eu juro.
 
Na medida em que eu digo “Quando eu for, eu serei”, é porque é isso mesmo. Quando a gente for algo, a gente não vai precisar dizer que a gente é esse algo. Simplesmente seremos, sem a mínima obrigação intrínseca de espalharmos nosso ego por aí. 

No fim das contas, que sejamos sempre no plural.