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Meio-dia pras 4

Parabéns, mermão

Escrito em 10/02/2017
Breno Airan


A Cidade Inteira (Max Ernst, 1935)

Eu costumo pensar ultimamente que sou um barquinho de papel. Mas com uma âncora pesada, sempre me mostrando – em sua trilha pelo chão molhado de águas salgadas – de onde vim e que ainda posso seguir com certa leveza. Afinal, sou de papel.

E, nessa folha, existem rabiscos, esboços, rubricas, desenhos infantis e lisérgicos, rascunhos pré-prontos do que eu sou em essência.

Das muitas marcas em minha pele branca e pautada, já quase amarelando pelos 27 anos, há a da família. Meu pai, minha mãe e ele, meu irmão: Vitorugo.

Nome de escritor francês famoso – escrevi errado aí em cima de propósito –, ele traz agora. em sua carcaça, 24 puros verões de fevereiro completados hoje. Idade nova e aquele velho sorriso de Gioconda quando se canta parabéns.

Não somos parecidos, fato que nos une mais. Eu com minha âncora e ele, com a dele, sendo guiados pela marola da vida. A bússola primeira foi-nos dada pelos nossos pais, Ciço e Jaça. E a ressaca do mar está só começando a vingar.

Eu costumo pensar frequentemente que sou esse barquinho de papel, leve como qualquer outro sob a ação da gravidade. E o que me puxa sempre para o centro da minha razão-emoção é o amor que sinto por esse meu mano com a venta do tamanho do Titanic. Não naufragarás. Esse é o seu 11º mandamento. 

Vá e percorra as milhares de léguas submarinas (aqui já é referência de outro escritor francês, desculpa) e você tem que fazer isso sozinho, com a certeza desse cais aqui. Vá e parabéns! Muitos anos de vinda.