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Meio-dia pras 4

A vida é uma vela sendo apagada

Escrito em 17/03/2017
Breno Airan


A Morte e o Lenhador (Jean-Fraçois Millet, 1859)

Parabéns pra você. Muitas felicidades. Muitos anos de vida. (Como diz meu pai, mais um ano a menos.)

Toda vez que você canta pra alguém é sinal de júbilo, de sorriso estampado na cara. E se apaga a velinha do bolo.

A escuridão se faz presente na sala. É seguro desembrulhar o que está à nossa frente. E veja: a morte é o próprio túnel que te leva àquela luz lá no fim.

Quando se percebe que todo dia morremos um pouco, aceitamos isso como uma condição biológica e nos preocupamos em nos conhecer mais por dentro enquanto é tempo, essa etapa final vai ser apenas a sua e a minha linha de chegada. Independente de quem chegue por último.

Não há porque temer. E não há porque fingir que se é forte. Se tiver medo, tenha. Mas não é necessário. Esse corpo não é seu. Você só aqui está de passagem.

Passe a vida se preparando pra hora final, vivendo o hoje sem excessos. Amando em cada respingo de saliva na boca. Agradecendo o ar e o mar que existem dentro de você. Peneirando a terra.

E mesmo que se vá cedo, se viveu. Se morreu. E se viveu de novo dentro do outro. Até se voltar.