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Meio-dia pras 4

Na minha

Escrito em 06/08/2017
Breno Airan


O filho do homem (René Magritte, 1964)

Estive quieto e calado por um bom tempo. E isso é importante: serenar, silenciar um pouco. Ou um tanto.

Percebi que já não mais culpo as pessoas por algo que não gosto. Aponto agora o dedo para quem antes indicava uma falha, um insucesso, uma afronta ao conhecimento: eu mesmo. 

A razão do meu descontentamento com o que está lá fora não pode nunca ser o outro – sou eu mesmo. De novo.

Não via o outro como parte de mim. Hoje o tal Breno já não é mais fixo, sólido, limitado e intransigentemente anatômico. 

Tenho o tamanho dos maiores edifícios e montanhas do mundo e a leveza das pernas das formigas operárias e dos golfinhos em extinção. Sou além disso tudo e também sou nada. Na verdade, não sou.

O não ego me tomou de um jeito que achei que minhas palavras já não importavam mais por aqui. Elas me exilam de mim mesmo. E eu quero é entrar cada vez mais fundo em meu peito.

Não há meio inteiro. Estou me preenchendo quieto e calado.